
SUSSURROS AO LUAR (Gekkô no sasayaki), Akihiko Shiota
O filme de estréia de Akihiko Shiota parece não saber muito bem a que veio. É de extrema inconstância: ora a história se concentra em Hideki, o garoto vítima de um distúrbio mental, ora em Stasuki, a garota que foge de um depravado.
Essa indecisão de foco não é algo que se constata imediatamente, pois a mudança não é repentina, lógica e nem intencional (exemplo mais famoso é o de Psicose). É, na verdade, uma mudança sutil e acompanha a conveniência e oportunidade oferecidas pelo roteiro, restando como única possível conclusão para o fato a de que se trata de uma trama amadora.
Sussurros ao luar exterioriza o momento complicado de amadurecimento sexual através de um jogo sado-masoquista entre os dois personagens principais. Visto apenas sob essa ótica, trata-se sem dúvidas de um belo trabalho que contribui muito bem ao ramo do 'cinema jovem'.
Outros aspectos notáveis e pelos quais Akihiko Shiota merece ser elogiado são o som e as atuações, ambos em tons e momentos oportunos. Por diversas vezes, se tem a impressão de que os atores estão participando de uma dança, com seus movimentos leves e expontaneamente forjados. Na verdade, de fato o elenco jovem parece estar em constante movimento, em contraste com o que geralmente ocorre com o elenco adulto, sendo que todos esses gestos e deslocações, são divinamente acompanhadas pela câmera do fotógrafo Shigeru Komatsubara.
No final das contas, Sussurros ao luar é uma história semi-expressionista de amor, que possui defeitos no roteiro, por ser um trabalho precário de foco narrativo, e na direção, por ser mais longo do que poderia, mas que já demonstra certo apuro técnico por parte do diretor Shiota, por trabalhar de forma tão inusitada e criativa com um tema bastante delicado.
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