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quinta-feira, 18 de junho de 2009

Sussurros ao luar


SUSSURROS AO LUAR (Gekkô no sasayaki), Akihiko Shiota

O filme de estréia de Akihiko Shiota parece não saber muito bem a que veio. É de extrema inconstância: ora a história se concentra em Hideki, o garoto vítima de um distúrbio mental, ora em Stasuki, a garota que foge de um depravado.

Essa indecisão de foco não é algo que se constata imediatamente, pois a mudança não é repentina, lógica e nem intencional (exemplo mais famoso é o de Psicose). É, na verdade, uma mudança sutil e acompanha a conveniência e oportunidade oferecidas pelo roteiro, restando como única possível conclusão para o fato a de que se trata de uma trama amadora.

Sussurros ao luar exterioriza o momento complicado de amadurecimento sexual através de um jogo sado-masoquista entre os dois personagens principais. Visto apenas sob essa ótica, trata-se sem dúvidas de um belo trabalho que contribui muito bem ao ramo do 'cinema jovem'.

Outros aspectos notáveis e pelos quais Akihiko Shiota merece ser elogiado são o som e as atuações, ambos em tons e momentos oportunos. Por diversas vezes, se tem a impressão de que os atores estão participando de uma dança, com seus movimentos leves e expontaneamente forjados. Na verdade, de fato o elenco jovem parece estar em constante movimento, em contraste com o que geralmente ocorre com o elenco adulto, sendo que todos esses gestos e deslocações, são divinamente acompanhadas pela câmera do fotógrafo Shigeru Komatsubara.

No final das contas, Sussurros ao luar é uma história semi-expressionista de amor, que possui defeitos no roteiro, por ser um trabalho precário de foco narrativo, e na direção, por ser mais longo do que poderia, mas que já demonstra certo apuro técnico por parte do diretor Shiota, por trabalhar de forma tão inusitada e criativa com um tema bastante delicado.

terça-feira, 17 de março de 2009

Vicky Cristina Barcelona


VICKY CRISTINA BARCELONA, Woody Allen

Vicky Cristina Barcelona não é um filme sobre o amor, mas sim um filme que busca interpretar, amoldar e discorrer sobre o conceito desse sentimento. Algo que começou a ser trabalhado por Woody Allen em 1977, quando ele lançou sua melhor obra, Annie Hall. Neste, o foco é diferente, mas em alguns momentos, os caminhos se cruzam, isso porque ambos os filmes tratam sobre a fugacidade das relações amorosas.

Amor é definido como a inclinação da alma e do coração, mas cada pessoa tem uma idéia diferente. Para Cristina (Scarlett Johansson), o amor deve necessariamente estar ligado à paixão, ao forte desejo. Cristina é entusiasta, gosta de experimentar e tem talento para fotografia. Sua amiga Vicky (Rebecca Hall), por outro lado, pensa que o amor é compromisso e sacrifício. Pensa que você não ama realmente uma pessoa se não é disposta a deixar alguns ímpetos em prol de sua companhia. Visões que são, portanto, antagônicas, mas que entraram em choque quando as duas são atraídas pelo mesmo homem: Juan Antonio (Javier Bardem).

Constata-se que ao indicar uma paixão de personalidades tão distintas por uma mesma pessoa, ao terminar e começar relacionamentos que são mais estranhos do que se espera e, acima de tudo, ao contextualisar toda a história durante apenas três meses de férias de verão, que Woody Allen discorre sobre o quão misterioso, imoldável e indefínivel o amor pode ser. O filme pode ser definido então, como uma melancólica e sensata declaração inferioridade, onde o diretor aceita a limitação do intelecto do ser humano, já que este falha em compreender aquele que é o sentimento mais tremendo que ele conhece.